‘Ginasião’, o eterno palco de jogos memoráveis em São Carlos

O Milton Olaio Filho é bem maior e mais moderno, mas o Ginasião é o mais querido dos ginásios no coração dos sãocarlenses

Presente e passado são a tônica de uma parte da história dessa 82ª edição dos Jogos Abertos do Interior que, depois de 61 anos, volta a ter São Carlos como sede. E o cenário de hoje das arquibancadas quase vazias do Ginásio ‘João Marigo Sobrinho’, do São Carlos Clube, em nada lembram aquelas registradas em 1957, quando os Jogos foram realizados pela segunda vez em São Carlos e marcaram o primeiro século de aniversário de fundação da cidade, e aconteceram de 4 a 11 de novembro daquele ano, com 122 municípios inscritos e apenas 9 modalidades esportivas em disputa.

Inaugurado em 1952, cinco anos antes dos Jogos Abertos de 1957, o Ginasião, como é popularmente conhecido em São Carlos, era a única grande praça esportiva da cidade onde aconteciam as competições desportivas – principalmente Basquete e Vôlei e, em função da raridade, sempre concentrava um público que esgotava sua capacidade máxima em torneios de dimensão estadual e nacional.

Na tarde desta quinta-feira (22), o ambiente no Ginasião, onde aconteciam as disputas de Vôlei feminino Sub-20 pelos Jogos Abertos 2018, era de contraste. Sobrava espaço e faltava o que dá prestígio, sentido e valor às competições: público. Em que pesem quaisquer razões para esse fenômeno da ausência, a realidade presente, claro, incomoda. Talvez um jogo no início da tarde num dia de trabalho…

PRESENÇA RARA – Mas, talvez, uma personagem se encarregue de preencher esse vazio. Encontramos, nas arquibancadas, assistindo a uma partida de Vôlei, a professora de Educação Física aposentada, Maria Cleide Patrizi (imagem ao lado), de 79 anos, que, aliás, foi uma das homenageadas na cerimônia de abertura oficial dos Jogos, no último dia 14 de novembro, no Ginásio Milton Olaio Filho, o segundo maior do Estado de SP hoje em dia. Em 1957 ela era uma das atletas que jogava Basquete por São Carlos (imagem da equipe abaixo).

Depois de ficar algum tempo em pé diante da estrutura que separa a quadra da arquibancada, pedimos que ela fosse ao mesmo lugar (imagem ao lado) que ocupou no Ginásio João Marigo Sobrinho para assistir à final de Basquete dos Jogos Abertos de 57. “Esse lugar estava lotado. Foi uma final emocionante entre São Carlos e Piracicaba. Hoje, observem a situação. Isso acontece por causa da falta de incentivo, apoio e divulgação, públicos e privados. Deveríamos criar mecanismos de envolver escolas, crianças e adolescentes, para transformar a história. Esse ‘templo’ do esporte em São Carlos merecia um aplauso maior”.

A FINAL DO BASQUETE NOS JOGOS DE 1957 – A final a que a professora se referiu, reuniu, além da disputa que é ingrediente fundamental para embalar emoções de quem joga e de quem assiste, também foi marcada por alguns ‘incidentes’. São Carlos perdeu por um ponto de diferença para Piracicaba. Resultado assim, no Basquete, é a mais alegre das alegrias para quem ganha e a mais dolorida das dores para quem perde. Porém, há registros de que a derrota de São Carlos ocorreu porque o placar era manual (mudado a cada ponto de ambas equipes por duas pessoas) e, ao final, ele e a súmula do jogo não ‘bateram’. Prevaleceu o resultado da súmula, que dava a vantagem para Piracicaba.

PREFEITO NO TUMULTO – Esse episódio (imagem ao lado) foi o suficiente para criar um alvoroço na quadra e nas arquibancadas. O então prefeito de São Carlos, Alderico Vieira Perdigão (que havia assumido a prefeitura no ano anterior após a morte de Luis Augusto de Oliveira, o ‘Luisão’, que dá nome hoje ao Estádio Municipal, enquanto Perdigão nomeia o também municipal Teatro) era um dos que estava inconformado no meio do público, que precisou ser contido pela Polícia Militar.

Fotos de 1957 revelam que assim como essa disputa, todas as outras também eram um acontecimento digno de missa dominical. Homens iam engravatados e mulheres desfilavam seus vestidos mais chiques. Há quem diga (e não é difícil de acreditar) que muitos relacionamentos começaram e diversos casais se formaram dentro do Ginasião.

Especificamente nessa partida marcada pela confusão, na equipe sãocarlense estavam nomes consagrados do Basquete da época. O time completo que começou a partida tinha Rosa Branca, Danilo Pozzi, Luis Braga, Bebeto Gonçalves e Paulinho Marcondes. Carmo de Souza, o Rosa Branca (o 2º da esq. p/ à dir. na foto superior da matéria), falecido há 10 anos, que era nascido na vizinha Araraquara mas jogava por São Carlos, era atleta do São Carlos Clube  à época e foi campeão do mundo pela seleção brasileira em 1959, no Chile, e bicampeão em 1963, no Brasil.

MENINAS DO VÔLEI DE HOJE – Com média de idade de 18 anos, seguramente muitos pais e ‘quiçá’ avós das meninas da equipe de Vôlei Sub-20 de Amparo (imagem ao lado), que nesta quinta-feira enfrentou Ribeirão Preto, nem eram nascidos em 1957. Hoje, são elas que dão vida ao Ginásio João Marigo Sobrinho nestes Jogos Abertos. E, juntas, com ou sem plateia, tem a missão de manter acesa uma chama que faz vibrar corpo e alma de um monumento sagrado e consagrado por várias gerações.

 

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